Matriz e demanda
O Brasil encontra diante de si o desafio de suprir a demanda energética crescente de seu enorme território. Para tanto, o país precisa buscar a auto-suficiência e a sustentabilidade do setor – setor esse que conheceu mutações substanciais nesses últimos anos em termos de financiamento e governança.
A predominância da fonte hidráulica na matriz brasileira, assim como os programas de desenvolvimento de energias limpas e/ou renováveis, são elementos positivos do setor.
Segundo José Antonio Puppim de Oliveira (Ebape/FGV), “ a matriz energética no Brasil costuma ser caracterizada como limpa. Por um lado, em termos de quantidade usada, nosso consumo per capita de energia ainda é relativamente baixo. Consumimos 1,13 TEP (toneladas das equivalentes de petróleo) por habitante, enquanto nos países da OCDE esse consumo chega a 5,5 TEPs por habitante. Em termos de eficiência econômica na geração de carbono também nos destacamos. Em 1995, geramos 0,33 tonelada de CO2 por dólar (de 1990) do PIB, enquanto os americanos chegaram a 0,85t, a União Européia a 0,51t e a China a 0,92t. Isto resulta principalmente do peso das energias renováveis na matriz brasileira, destacando-se aí a energia hidrelétrica e a biomassa. Enquanto os combustíveis fósseis representam 58% do consumo de energia no Brasil, nos países da OCDE esse índice chega a 81%. Como pontos positivos, destacam-se ainda os vários programas de energia renovável do país, como o Proálcool e algumas experiências com energia eólica e solar ».
Em contra-partida, os estudiosos assinalam o fato de que a porcentagem de energia limpa e renovável tende a diminuir nos próximos anos, como mostra o quadro abaixo.
..........................................Hoje................Em 23 anos
Hidrelétrica .....................77% ...........................70%
Carvão .............................1,3% ..........................2,7%
Nuclear ...........................2,2% ..........................3,4%
Gás ..................................4,1% ..........................9,5%
Eólica, biomassa e
pequenas centrais
hidrelétricas ...................7,1% ........................10,4%
Importação .....................8,3% ............................4%
Fontes : Empresa de Planejamento Energético (EPE), Agência Internacional de Energia (IEA), dados citados pela revista superinteressante, edição de jul/2007
A pressão demográfica e o desenvolvimento industrial requerem uma capacidade crescente de investimento e de desenvolvimento de novas fontes. Eis como o governo pretende cumprir essa tarefa em um horizonte de 20 anos.
- Triplicar a potência das usinas movidas a gás.
- Construir grandes usinas hidrelétricas na Região Norte.
- Construir pequenas centrais hidrelétricas, principalmente no Sul e no Sudeste.
- Criar 3000 termoelétricas movidas a bagaço de cana, restos de madeira, casca de arroz.
- Dobrar as usinas a carvão mineral nas regiões produtoras.
- Pelo menos mais 4 usinas nucleares no Sudeste e no Nordeste.
- Favorecer a instalação de média de 1100 grandes cataventos de energia eólica no Nordeste e no Sul.
O setor elétrico :
Eis a evolução do número de domicílios com acesso à luz elétrica entre 1940 e 2000:
1940 ............................................1.317.967
1970 ...........................................8.383.994
1980 ..........................................17.269.475
1991 ..........................................30.180.139
2000 .....................................42.331.817,40
Fonte: IBGE/Ipeadata
Esses dados devem ter em vista ainda que o número de domicílios recenseados aumentou de 17.628.699 em 1970 para 50.840.452 em 2001 (hoje são mais de 57 milhões recenseados). Portanto, a taxa de domicílios abastecidos atinge 83% do total no limiar do século XXI.
Não obstante a consciência de que é preciso um planejamento eficaz do setor, o abastecimento elétrico ainda apresenta sérios gargalos de desenvolvimento. O risco de crise e racionamento energéticos não se encontra obstruído desde o episódio de 2001. Dentre as causas obstrução, podemos citar a insuficiência de investimentos e os problemas de gestão pública que acompanharam a passagem de um modelo de planejamento ao modelo regulatório.
As estimativas do risco de haver um “apagão” são discutidas. Se para Mauricio Romalsquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética, o risco de racionamento em 2011 é de 7,3%, para Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, esse risco se eleva a 28% (segundo debate na TV Estadão).
Fontes bibliográficas:
- IBGE/Ipeadata
- Empresa de Planejamento Energético (EPE), Agência Internacional de Energia (IEA), dados citados pela revista superinteressante, edição 241 – julho/2007
- José Antonio Puppim de Oliveira (Ebape/FGV), Meio Ambiente e desenvolvimento sustentável, in Scelza, Ruediger e Sobreira (org.), Desenvolvimento e construção nacional : políticas públicas (editora FGV,2005).
- O Estado de S. Paulo, 04/09/2007, citado em www.acendebrasil.com.br
domingo, 26 de agosto de 2007
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Um comentário:
Muito interesante Antoine. Nao sabia que Brazil ten tao energias renováveis! E muito bom. Vo venir vivir la com voce ;)
Nicolas
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